A China começou hoje a aplicar taxas provisórias elevadas sobre produtos lácteos da União Europeia (UE), agravando a já tensa relação comercial entre Pequim e Bruxelas. As tarifas variam entre 21,9% e 42,7% e incidem sobre um vasto conjunto de queijos, leite e natas. Segundo o Ministério do Comércio chinês, as importações europeias, entre abril de 2023 e março de 2024, beneficiaram de subvenções públicas e causaram “danos substanciais” à indústria láctea nacional.
As medidas assumem a forma de depósitos em garantia pagos pelos importadores à alfândega.A investigação, aberta em agosto de 2024 a pedido de associações do sector, identificou apoios públicos ligados à conservação ecológica, desenvolvimento rural e armazenamento de produtos, atribuídos por vários Estados-membros, entre os quais França, Itália, Irlanda e Bélgica.Pequim afirma existir uma relação directa entre esses subsídios e os prejuízos sofridos pelos produtores chineses, garantindo que o processo respeitou as regras da OMC. Bruxelas contesta, considerando as acusações pouco fundamentadas e já levou o caso a instâncias internacionais.França surge como o país mais afectado, seguindo-se Itália, Dinamarca, Países Baixos e Espanha. A decisão final será conhecida nos próximos meses, mantendo-se entretanto em vigor as tarifas, vistas por analistas como retaliação às taxas europeias sobre veículos eléctricos chineses.
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